O portal das Provas Digitais no Processo Penal
O foco das investigações de corrupção e crimes de colarinho branco mudou rapidamente do grampo telefônico para o celular, especialmente para as trocas de mensagens, diz José Roberto de Toledo no A Hora, do Canal UOL.
O tema é um dos destaques do episódio desta semana do A Hora, podcast de notícias do UOL com os jornalistas Thais Bilenky e José Roberto de Toledo, disponível nas principais plataformas. Ouça aqui.
"A pergunta que fica é como a Polícia Federal, por exemplo, consegue pegar um celular sem senha - em que a pessoa não fornece a senha - e quebrar a criptografia desse celular, quebrar todos os mecanismos de segurança e acessar o conteúdo."
- José Roberto de Toledo
Segundo Toledo, o software mais popular entre investigadores, no Brasil e fora, é o israelense Cellebrite, descrito por ele como um conjunto de ferramentas contratado por valores altos para acessar diferentes modelos e sistemas operacionais.
"Não é apenas um software: é um conjunto de ferramentas que se contrata a peso de ouro para conseguir quebrar as criptografias dos vários modelos de celular, dos vários fabricantes, dos diferentes sistemas operacionais. Vai desde maneiras de explorar fragilidades do sistema, encontrar portas dos fundos, até a coisa mais banal - ficar forçando senhas até o sistema entregar."
- José Roberto de Toledo
Ele afirma que circunstâncias da abordagem influenciam o tempo para extrair os dados. Se o aparelho estiver desbloqueado, diz, o acesso tende a ser mais simples; se estiver bloqueado ou desligado, o trabalho pode demorar mais.
Ele também aponta que a dificuldade varia conforme o modelo e as atualizações de segurança. Segundo seu relato, a cada iPhone novo a Apple renova mecanismos de proteção, e o ritmo de quebra muda de geração para geração.
"Pelo que eu apurei, hoje em dia, quebrar até o iPhone 15 é meio moleza para o Cellebrite, é meio rápido deles conseguirem fazer. Do 16 e do 17, principalmente do 17, já demora muito mais tempo. A empresa, nesses casos, fala em best efforts: vamos envidar os nossos maiores esforços para conseguir quebrar."
- José Roberto de Toledo
Toledo diz ainda que o acesso a recursos depende do tipo de contrato. Para ele, não é uma compra única: há suporte e cobranças por atualizações quando o sistema operacional muda.
Ao examinar compras públicas, Toledo afirma ter encontrado um volume alto de gastos no Brasil com licenças e serviços da empresa, com diferentes órgãos de segurança e investigação entre os clientes.
"Olhando nas compras públicas dos entes estatais brasileiros, eu descobri que a Cellebrite já faturou, nos últimos anos, mais de R$ 100 milhões vendendo licenças e serviços para agências de segurança: Polícia Federal, Ministério da Justiça, Ministérios Públicos estaduais, Polícia Militar, Polícia Civil."
- José Roberto de Toledo
Na avaliação dele, a mudança de foco mostra como tecnologia e inteligência passaram a comandar investigações, em vez do imaginário de armas e confronto que domina filmes de ação e parte do debate público sobre segurança.
"O tempo do fuzil, da bala, da pistola, hoje em dia tá superado. Isso é o menos importante numa investigação. Inteligência e tecnologia hoje comandam o processo investigatório, e é muito importante largar a ideia de que é fuzil que vai resolver o problema da segurança pública no Brasil. Não é."
- José Roberto de Toledo
Nenhum Comentário publicado ainda.
Utilize os campos abaixo para comentar a notícia acima (publicação sujeita à análise dos administradores):